CMF dá “ultimato” ao Infante
CMF dá “ultimato” ao Infante
Obras vão ter mesmo de avançar. Administração já está a recolher orçamentos
Data: 04-11-2009
As obras no Edifício Infante vão ter mesmo de avançar. Segundo o gerente da empresa que administra o condomínio, Miguel Correia, neste momento, estão a proceder à recolha de orçamentos junto de diferentes empresas para as obras de requalificação e recuperação do edifício, que terão mesmo de ser realizadas, uma vez que a Câmara Municipal do Funchal (CMF) “deu um ultimato”.
Segundo o responsável, após reuniões na autarquia, ficou decidido que as intervenções tinham de avançar, dado o estado de degradação do edifício e das fachadas. “A situação do edifício não é assim tão grave, a nível de segurança”, disse, considerando, no entanto, que, a nível de estética, o prédio deixa muito a desejar.
De acordo com o que foi deliberado nessas reuniões na CMF, se os condóminos não quiserem assumir as despesas das obras, a autarquia fará e, posteriormente, cobrará o que compete a cada um dos moradores. Contudo, Miguel Correia acredita que não vai ser preciso chegar a essa situação. “Julgo que não vamos chegar a esse ponto, mas, se não houver aprovação de um orçamento, a CMF vai intervir dentro do que a lei permite”, apontou. Apesar de saber que “as dificuldades são generalizadas”, considera que o assunto está a ser tratado com os condóminos “de bom senso” e que, embora o centro comercial pertença a um “proprietário único”, como parte integrante, também terá de contribuir nas despesas, dado que representa 1/4 do edifício.
As intervenções previstas são as de recuperação das duas fachadas do edifício (Avenida Arriaga e Avenida do Mar), da cobertura (terraço) e das garagens (pintura e recuperação de pilares). A ideia passa por arrancar com as obras na Primavera do próximo ano, logo que o tempo melhorar. “Nós não vamos alterar nada, só remodelar e basta 50% dos condóminos aprovar”, sublinhou. A reunião da Assembleia Geral (AG) será feita até ao final deste mês.
“Nós não gostaríamos que a CMF nos substituísse e isso só acontecerá se as pessoas não tomarem uma decisão”, continuou, explicando que, se a autarquia acabar por assumir o controlo da situação, lançará um concurso público para encontrar uma empresa que faça as obras, o que poderá sair ainda mais dispendioso aos moradores do edifício.
Miguel Correia explicou que, em todas as AG, “cada vez que as pessoas olham para os valores [de obras], não querem dar o passo seguinte”. “Mas penso que estamos na ponta final, a Câmara disse que não ia aceitar mais como está, na segurança e a nível estético, e deu um ultimato”, referiu, acrescentando que “não há outra hipótese aos condóminos”. “As pessoas têm de entender que tem de ser feito”, alertou. Após a aprovação de um dos orçamentos, começará a fase de recolha de fundos.
O gerente da empresa que administra o condomínio do Infante mostrou-se esperançado em relação a uma boa aceitação por parte dos condóminos. No global, o edifício tem 140 fracções e 109 condóminos. O responsável apontou também que, quanto mais tempo as obras demorarem a ser feitas, mais caras ficarão no futuro. Para chegar a esta fase, contou com a ajuda de um grupo de moradores “incansáveis”.
Nesta altura, os orçamentos já são elevados, mas não tanto quanto esperava. Porém, Miguel Correia defende uma intervenção de relevo agora, antes que seja tarde demais e não haja outra opção, senão, por exemplo, a implosão e afirmou que os residentes devem ver esta acção como “um investimento e não um custo”.
O DIÁRIO tentou contactar o vereador responsável pelo pelouro do Urbanismo na CMF e o vice-presidente, mas sem sucesso.
Obras no shopping
O Marina Shopping tem vindo a registar, nos últimos tempos, um número crescente de fecho de lojas. Segundo o DIÁRIO apurou, tais encerramentos não correspondem a situações de falência, mas sim a retiradas estratégicas, uma vez que se perspectivam obras no interior desta superfície, no primeiro trimestre de 2010. O DIÁRIO tentou contactar, por várias vezes, a administração do Marina Shopping para confirmar esta informação, mas até ao fecho da edição não estiveram disponíveis.
Zélia Castro



