véspera de São Martinho

Diário de Notícias

Quando o bacalhau é rei
Hoje é véspera de São Martinho, e o centro da freguesia espera uma enchente
Data: 10-11-2009

Com menos barracas do que o habitual, mas com a mesma vontade de cumprir a tradição, o centro de São Martinho começou ontem a engalanar-se para a festa do padroeiro da freguesia, que hoje à noite promete ser ‘rija’.

“Eu vou a todos os arraiais aqui no Funchal, e São Martinho é sempre bom, dá sempre muita gente”, diz José Manuel Abreu, proprietário de uma das cinco barracas que logo à noite vão cumprir a ementa da véspera de São Martinho: bacalhau assado na brasa e vinho regional.

“Comprei uns cinco bacalhaus e o vinho vou comprar a um senhor que costuma ter vinho bom”, conta Jacinto Mendonça, que tem algumas dúvidas sobre o sucesso da festa. “Isto depende muito. Depende do tempo e depende do dia da semana”, explica, acrescentando que se vender bem, vai comprar mais bacalhau.

Mais confiante está José Manuel Abreu. Comprou “bastantes” quilos de bacalhau e só falta encher a pipa de vinho americano. “Já venho cá há mais de 30 anos, primeiro com o meu pai, e agora à frente disto, e vale sempre a pena”, garante, enquanto na barraca ao lado, ainda em ‘obras’, ouvem-se criticas à autarquia.

Primeiro devido à localização das barracas, “encavalitadas” junto aos passeios”, depois pela falta de casas de banho e por último pela forma como foram passadas as licenças. ”

Só hoje [ontem] autorizaram a montagem das barracas, quando no fim-de-semana já havia iluminação e celebrou-se a Festa do Patrocínio”, lamentou Jacinto Mendonça, dizendo que de ano para ano a arraial vai ficando cada vez pior.

Talvez por isso no bar localizado junto ao centro de São Martinho, a data vai passar ao lado. “Optamos por não celebrar a festa”, diz, lacónico, o proprietário do estabelecimento que fica situado no Centro Cívico de São Martinho.

Reticências também na barraca ao lado da de Jacinto Mendonça. Aqui não haverá nem bacalhau nem vinho, mas cerveja, frango e espetada. Uma barraca ‘alternativa’, em que prognósticos só são feitos no fim.

“Só segunda-feira, depois de fazer as contas, é que eu falo”, diz o dono ao DIÁRIO, deixando transparecer algum cepticismo em relação a um arraial que continua a ser um dos mais concorridos do Funchal.

Festa para levar

São Martinho não se faz só de arraial. Muitos restaurantes da freguesia – e de outras – apresentam menus alusivos à data, e, quem preferir, pode até fazer a festa em casa. “Compramos uma quantidade muito grande de bacalhau, e costuma vender-se bem”, diz Fernando Gonçalves, dono de um restaurante e ‘take-away’ na zona da Ajuda. “As pessoas compram muito e levam, apesar de algumas preferirem comer aqui”, acrescenta, dizendo que pela experiência que tem o são Martinho continua a ser uma “tradição” muito popular.

Márcio Berenguer

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