Verme ameaça 6 mil hectares de pinheiros
Verme ameaça 6 mil hectares de pinheiros
Praga disseminada por insecto veio para ficar e ameaça pinhais por toda região
Data: 21-11-2009 Comentários: 2
Se o Nemátodo conseguiu chegar à Madeira, onde foi detectado no Palheiro Ferreiro, inevitavelmente vai atacar todos os recantos da ilha onde existem pinheiros bravos em condições de serem contagiados por esta doença. “Temos de ser realistas, é uma questão de tempo”, diz Rocha da Silva, director regional das Florestas, fazendo questão, contudo, de desdramatizar a situação. “Não é o fim do mundo, vai é dar-nos mais trabalho”.
A área global da floresta regional é aproximadamente de 52 mil hectares, 6 mil dos quais ocupados por pinheiros bravos. Mas note-se que a área de pinhal não se apresenta concentrada em grandes zonas, mas antes fragmentada e dispersa com outras espécies, indica o governante, observando ainda que apenas as árvores mais velhas ou em situação débil é que correm o risco de desaparecer.
Os pinheiros, que não são árvores endémicas, não constituem uma parte significativa do “suporte florestal da Região”. Os impactos da doença serão, assim, sentidos sobretudo ao nível da paisagem, já que, pelo menos simbolicamente, já fazem já fazem parte da nossa floresta.
Se no caso do Continente a situação é mais complexa em termos económicos, na Região já “praticamente ninguém investe na exploração de madeira de Pinheiro, ao contrário do Eucalipto, acrescenta Rocha da Silva. Os pinhais desta espécie existentes na Região são produto da regeneração natural ou então reminiscências do tempo que em eram objecto de exploração. Por enquanto, a presença do Nemátodo foi apenas detectada numa propriedade privada situada no Palheiro Ferreiro, na zona da Boa Nova. O caso começou desde logo a ser acompanhado por técnicos da Direcção Regional de Florestas (DRE). O abate e a incineração das árvores infectadas tem sido realizado no local, como mandam os procedimentos a adoptar para este tipo de doença.
Tendo em conta que se trata de uma doença de quarentena, a DRE teve informar a autoridade nacional florestal e a Direcção Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural, a qual possui competência ao nível área fitossanitária.
Rocha da Silva apela aos proprietários de terrenos para colaborarem com as autoridades no sentido de comunicarem atempadamente os casos de doença que venham tendo conhecimento. “Isto não só ajuda a monitorizar a evolução do Nemátodo, como também contribui para dar respostas adequadas de contenção mais céleres e eficazes”, justifica.
O plano de acção conter a praga (vide texto em baixo) prevê um conjunto de medidas, “muitas das quais são recomendadas pela União Europeia”. Daí que Rocha da Silva entenda que existe “toda a legitimidade em recorrer aos fundos comunitários” para ajudar no financiamento das iniciativas previstas no plano.
Insecto ajuda praga
O Nemátodo é um verme que ataca o sistema de circulação da árvore, enfraquecendo-a e tornando-a mais susceptível ao ataque de outras pragas. O contágio ocorre através de um insecto vector (em Portugal o longicórnio do pinheiro – Monochamus galloprovincialis, que transporta os nemátodos nas traqueias). A dispersão da doença está limitada à altura e capacidade de voo dos insectos. O Nemátodo da madeira do pinheiro não é visível a olho nu, apenas podendo ser diagnosticado em laboratório. Mas agulhas amareladas e murchas são sintomas da presença do verme.
DRF já tem plano para conter o Nemátodo
A Direcção Regional de Florestas já elaborou um plano de acção contra a praga do Nemátodo, o qual, segundo Rocha da Silva, contempla todas as recomendações quanto à adopção de medidas a implementar nesta circunstância.
O Plano terá de ser aprovado pelo Governo Regional e ser ainda objecto de uma Portaria por forma a garantir o suporte legal das medidas da tomar. Todos os pinheiros que apresentarem sintomas da praga terão de ser abatidos e todo o corpo da árvore (incluindo ramos e folhagens) será incinerado na mesma área, isto porque, explicou, é desaconselhável fazer a transladação dado que representa um risco acrescido de propagação do verme. Caso os pinheiros possam ser transformados em madeira, terão de ser objecto de um tratamento, o qual impõe que o interior da madeira seja submetido a uma temperatura até 65º, tida como suficiente para provocar a morte do verme.
A doença costuma atacar as árvores mais velhas (a idade do pinheiro bravo é semelhante à do ser humano) ou em exemplares que tenham sofrido traumatismos resultantes de cortes ou de incêndios, que contribuíram para diminuir sua resistência factores externos.
O Nemátodo, que foi exportado da América do Norte para todo o mundo, ataca ainda outras espécies de árvores. Mas essas variedades susceptíveis de serem atingidas não se encontram presentes na floresta do arquipélago.
A colocação de armadilhas com feromonas para atrair os insectos adultos responsáveis para transmissão da doença são outra das medidas a implementar para tentar conter, tanto quanto possível, a praga que agora chegou à Madeira.
R.C.
Raul Caires
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