Orquestra Clássica perde Centro de Congressos

Diário de Notícias – Madeira

Orquestra Clássica perde Centro de Congressos
O protocolo por três anos termina a 14 de Abril e não será renovado pelo Grupo Pestana
Data: 23-11-2009

A Orquestra Clássica da Madeira vai deixar de poder contar a partir de Abril com o Centro de Congresso da Madeira, pelo menos nos moldes actuais. O protocolo celebrado entre o Grupo Pestana e o Governo Regional que por um período de três anos permitiu o usufruto gratuito do espaço por parte da formação não será renovado, segundo apuramos.

Contactada a directora do Casino da Madeira, Carlota Cavaco confirmou a informação, e adiantou mesmo que a outra parte interessada já foi ‘lembrada’ da situação. Mas coloca de parte a hipótese de o fim da parceria ter alguma coisa a ver com a polémica intervenção do director artístico Rui Massena há cerca de um mês e meio: “Não, não”, garantiu a responsável, acrescentando que foi um acordo estabelecido com o Governo Regional, não com a Orquestra nem com a Fundação. “O acordo termina em Abril e à partida não é renovado. Não é renovado porque nem isso estava previsto. O acordo foi temporário, até o Governo Regional arranjar uma solução alternativa, esta não seria a solução definitiva, e a sala é importante para o Grupo Pestana, quer para os eventos que são realizados cá, para o público local, quer para termos a possibilidade de angariarmos negócio”, justificou. Rui Massena, como noticiado na altura, ‘chocou’ com o Casino da Madeira no início de Outubro devido à sobreposição de publicidade da peça ‘I Love My Penis’ sobre a da agenda da OCM na noite do concerto do ‘Dia da Música’. A faixa promocional colocada à entrada do Centro de Congressos indignou o maestro e director artístico da Orquestra, que enviou uma carta ao secretário Regional de Educação e Cultura e tornou-a púbica através do DIÁRIO.

Potenciar o negócio

Pondo de lado estas questões, a directora, explicou que o auditório com capacidade para 600 pessoas é fundamental para a realização eventos que tenham quartos ocupados, que tragam turistas, como são os congressos nacionais e internacionais, exemplificou. “É muito importante poder contar com a sala e nessa medida, não faz sentido continuar com a parceria”, afirmou Carlota Cavaco.

Questionada se a Orquestra vai poder continuar a usar a sala, respondeu: “Claro que sim. A Orquestra Clássica tem uma qualidade enorme, inquestionável e traz uma mais valia ao Casino da Madeira também”. Na gestão do espaço há pouco mais de um ano, acrescentou mesmo que há muitos turistas que procuram estes concertos. “A Orquestra poderá vir e será bem recebida quando vier e temos todo o gosto que continuem a vir à sala. Não terá é uma utilização como foi feita nos últimos três anos, no mesmo registo (…). Será uma utilização que até poderá ter o mesmo programa, mas combinado. Não é como obrigação”, esclareceu, adiantando que a utilização “será paga, tal como todos os outros eventos”.

Agenda a ser elaborada

A tonar mais certa esta decisão está também o facto de o Casino da Madeira já estar a trabalhar numa agenda para depois do dia 14 de Abril, que inclui não só os congressos e outros encontros temáticos, mas também eventos culturais. “O que é importante é que aquela sala possa ter diversidade e não esteja totalmente afecta só à música clássica e que consiga ter todos os outros eventos que são importantes para a Região, em termos culturais, ou mesmo em termos turísticos”, disse Carlota Cavaco.

Nas palavras da directora, há uma tentativa de trazer eventos diferentes e faz mais sentido para o Casino nós termos mais do que uma parceria: “Faria sentido que houvesse um programa de televisão a acabar aqui, faria sentido que houvesse galas a acontecer aqui, faria sentido fazer parcerias públicas e privadas que tragam eventos aqui, conferências aqui. É lógico que para isso precisamos ter uma possibilidade de agendar os eventos”, afirmou.

Tutela sem respostas

O DIÁRIO procurou ouvir a outra parte, nomeadamente o director artístico da Orquestra para falar sobre o futuro da formação, mas Rui Massena encaminhou para os superiores: “Isso não me diz respeito a mim tratar. Isso é com o presidente da Fundação e com o Secretário Regional”, disse.

Após tentativas para o telemóvel e para a cãmara de Santa Cruz, deixámos recado a José Alberto Gonçalves, mas o presidente da Fundação Madeira Classic não devolveu o telefonema. Já o Secretário Regional de Educação, contactado por e-mail não respondeu às questões, mas justificou: “Não estão ainda tomadas quaisquer decisões definitivas sobre as matérias invocadas, pelo que, por respeito para com todos os intervenientes, não estamos disponíveis para prestar os esclarecimentos solicitados”.

Sala no conjunto pela concessão da exploração do jogo

O Casino da Madeira é uma concessão. Para a renovação da Concessão de Exploração dos jogos de Fortuna ou Azar, os requisitos que estavam em causa eram a construção do hotel do Porto Santo – que já está feito – e a remodelação do Casino da Madeira, com um montante estabelecido, explicou Carlota Cavaco. De acordo com a directora, o Governo Regional estipulou quanto é que teria que ser investido em toda a remodelação do espaço: “Nós fizemos a remodelação. Todo o parque de máquinas foi remodelado, o Pestana Fórum é um novo espaço, também foi renovado, o Copacabana foi renovado, o Restaurante Bahia foi todo renovado e essa era uma das obrigações para a renovação da concessão. A sala foi uma solicitação na altura, uma solicitação do Governo à qual o Grupo Pestana acedeu como é lógico, foi negociada na mesma altura, mas não é a principal obrigação da concessão”, esclareceu.

O Grupo Pestana investiu seis milhões de euros para manter a concessão por mais dez anos.

Paula Henriques

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