‘Mangas’ para a Pontinha não aceitam marés altas

Diário de Notícias – Madeira

‘Mangas’ para a Pontinha não aceitam marés altas
Problema técnico obriga empresas a conceber mangas especiais por 3 milhões
Data: 18-11-2009

A aquisição de dois sistemas de embarque e desembarque – vulgo mangas – para o Porto do Funchal poderá encerrar alguns problemas técnicos. Isto porque os equipamentos que estão disponíveis no mercado foram concebidos para operar em portos em que a amplitude das marés seja inferior a 2 metros, o que nem sempre acontece na Madeira.

Este problema técnico já é conhecido da administração da APRAM, que terá salvaguardo no cadernos de encargos do respectivo concurso que o equipamento deverá consagrar uma solução técnica que assegure adequada funcionalidade quando a amplitude da maré for superior a dois metros.

A aquisição, das duas mangas não é um investimento pacífico junto dos agentes e dos especialistas do sector, pois o valor do investimento – 3 milhões de euros – e a sua efectiva utilização por parte de alguns navios tem sido muito questionada.

Em causa está o facto dos maiores navios necessitarem de mais do que duas zonas de desembarque/embarque, havendo receio que a agitação na bacia interior contribua para um comportamento do navio no cais que inviabilize o uso das ‘mangas’.

Contrapõem os especialistas de que o recurso às mangas garante celeridade na operação, comodidade, segurança, facilita a mobilidade dos passageiros portadores de deficiência e acrescenta qualidade nos serviços que o Porto do Funchal passará a oferecer.

A circunstância da APRAM investir na gare e equipamento 8 milhões de euros, com recurso a um novo empréstimo bancário, levanta outra dúvida: quem é que vai pagar os 600/800 mil euros por ano que os encargos financeiros e de funcionamento acarretam?

Os agentes de navegação estão preocupados com o facto das taxas de passageiro poderem aumentar 50%, garantindo deste modo um acréscimo de 1,50 euros por passageiro, o suficiente para cobrir os encargos financeiros que a APRAM assumiu com este grande investimento.

As dúvidas residem no facto de apenas 2,5% dos passageiros que passam pelo Porto do Funchal necessitarem de usar a gare para os formalismos de embarque/desembarque junto das autoridades, já que os restantes poderão aceder aos autocarros sem passar pela gare ou simplesmente caminhar a pé para o centro do Funchal.

Refira-se, por fim, que o concurso de aquisição dos dois sistemas de embarque e desembarque foi tornado público a 23 de Outubro, o que concede às empresas interessadas 48 dias para entregar as suas propostas – até 10 de Dezembro – e 250 dias para execução do contrato.

2,5% dos turistas

Se considerarmos os indicadores de 2008, apenas 10.346 passageiros – dos 405.306 que passaram pela Madeira a bordo de um paquete – iniciaram ou terminaram o seu cruzeiro no Funchal, tendo por via disso que recorrer à gare para controlo de bagagem e outros procedimentos. Curiosamente o Porto do Funchal registou o ano passado um movimento de 1,1 milhões de passageiros, embora os passageiros da Naviera Armas e da Porto Santo Line não venham a utilizar a nova gare.

Miguel Torres Cunha

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