Imigrantes estão bem integrados na Madeira
Imigrantes estão bem integrados na Madeira
Alta comissária admite que a mendicidade é um problema complexo
Data: 21-11-2009
A comunidade imigrante está bem integrada na sociedade madeirense, não havendo registo de tensões ou de grandes problemas em relação aos cerca de dois mil indivíduos que vivem na Região. Uma constatação feita ontem pela Alta Comissária para a Imigração e Diálogo Intercultural, à margem de um encontro com o secretário regional dos Recursos Humanos, Brazão de Castro.
Maria do Rosário Farmhouse, que se deslocou à Madeira para participar na V Conferência do Atlântico, diz que os madeirenses “têm sabido acolher” os imigrantes, facto a que não é alheio o histórico de emigração da ilha.
“É uma terra que sabe muito bem o que é ser emigrante e que trata os imigrantes como gostam que eles próprios e os seus familiares sejam tratados lá fora”, expressa aquela responsável, adiantando que as próprias políticas de integração do Alto Comissariado têm sido delineadas tendo em conta essa vertente histórica dos portugueses.
A Alta Comissária reconhece, no entanto, que há ainda algum trabalho a fazer, nomeadamente ao nível da informação e dos canais de comunicação que facilitem a vida aos imigrantes, até porque muitos deles esbarram na dificuldade da língua.
Maria do Rosário Farmhouse diz que este trabalho se reveste de uma grande importância, até para que os imigrantes possam denunciar os casos em que são alvo de exploração por parte dos patrões. Segundo aquela responsável, há ainda um significativo número de casos “de aproveitamento das situações de fragilidade dos imigrantes por parte dos empresários”, mesmo que a última lei de estrangeiros, aprovada em 2007, puna ainda mais os prevaricadores. Os casos de mendicidade, em particular as redes organizadas oriundas de países do Leste da Europa – das quais há também ramificações na Madeira – é outro problema que tem merecido a atenção do Alto Comissariado. Aquela responsável desconhecia a existência do problema na Madeira, mas reconhece que se trata de uma situação complicada, que obriga a “um trabalho complexo”, até porque se tratam de “grupos específicos onde há hábitos culturais enraizados e difíceis de alterar”.
Maria do Rosário Farmhouse admitiu ainda que algumas das experiência ao nível da política de imigração utilizadas na Madeira poderão ser transpostas para o continente e vice-versa, tendo por base o diálogo e a cooperação existentes entre as duas partes.
Segundo o secretário regional dos Recursos Humanos, actualmente existem na Madeira aproximadamente dois mil imigrantes, a grande maioria dos quais pertencentes à comunidade ucraniana, composta por 1.600 indivíduos. Os africanos são a segunda comunidade mais representada, com aproximadamente 300 pessoas.
Nélio Gomes
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