Tomada de posse
Albuquerque aberto a críticas avisa que não cederá a pressões
Albuquerque diz que não cederá ao populismo fácil. A prioridade é a qualidade de vida
Data: 28-10-2009
Miguel Albuquerque garantiu ontem, durante a cerimónia de posse para o próximo quadriénio, que irá dar continuidade ao trabalho que tem vindo a ser desenvolvido e prometeu um tratamento com “urbanidade” para todos os munícipes. Avisou, contudo, que a sua vereação não cederá a “pressões” nem se intimidará “perante as críticas destrutivas ou os exercícios esporádicos de difamação pura”.
Reconhecendo não ter “o monopólio da verdade nem a soberba da perfeição”, Albuquerque disse estar aberto a “críticas fundamentadas e a sugestões susceptíveis de melhorar a nossa vida comunitária”. Apesar desta abertura Miguel Albuquerque deixou um aviso bem claro à navegação. “Nunca cederemos ao populismo fácil. Nem nos refugiaremos na letargia da indecisão.” Mais. “Tomaremos as medidas que tiverem de ser tomadas. (…). À mentira, responderemos com a verdade”. E “à demagogia e manipulação, responderemos sempre com a clareza das nossas convicções e com a consistência das nossas decisões”.
Os objectivos e prioridades da actual vereação, sublinhou Albuquerque, passam por “manter o ritmo de confiança e de desenvolvimento que hoje já desfrutamos”. Além disso, acrescentou, a autarquia vai continuar a trabalhar no sentido de “reforçar, sem contemplações, a liderança nacional nas políticas ambientais, consolidar as novas abordagens nas políticas de integração e apoio social e ultrapassar os novos reptos que se colocam a nível da energia, da mobilidade, da educação, da cultura e da qualidade de vida”, disse.
Antes, durante a sua intervenção, o presidente da Assembleia Municipal, João Dantas, lançou um apelo aos novos eleitos para que desenvolvam um “trabalho cooperante visando o bem-estar da população”. João Dantas deixou também palavras de “esperança e estímulo” a todos os que vão iniciar agora funções numa “situação preocupante e complexa”. E agradeceu o apoio que o Governo Regional tem dado.
PSD chumba mesa plural
À margem da tomada de posse, o PND propôs a constituição de uma mesa plural para a Assembleia Municipal. A proposta mereceu o apoio de toda a oposição mas acabou por ser chumbada. Baltazar Aguiar ainda fez mais uma tentativa tendo apresentado uma lista encabeçada por Isabel Sena Lino (PS), Luciano Homem de Gouveia (CDS) e Baltazar Aguiar (PND), os três partidos mais votados. A proposta acabou também por ser chumbada.
Sucessão de Jardim
Miguel Albuquerque evitou ontem alongar-se em grandes comentários sobre a sucessão de Alberto João Jardim à frente dos destinos do PSD-Madeira. Questionado no final da cerimónia, Albuquerque disse não estar preocupado com reflexões internas. “Não tenho reflexões nenhumas para fazer. O que eu acho relativamente ao PSD aqui na altura própria o direi. Acho bem que esses assuntos sejam tratados internamente, mas não tenho muitas reflexões a fazer.” Caso seja colocada a questão da sucessão, Albuquerque admite que necessário haver um debate e uma reflexão interna”. A concluir disse ainda que espera “cumprir o mandato até ao fim”.
Ausências e trocas
Lina Camacho, vereador eleita pelo PSD e Raquel Coelho, deputada municipal eleita pelo PND não irão assumir os seus cargos, pelo menos para já. No caso da vereadora eleita pelo PSD a troca por Amílcar Gonçalves ficou a dever-se ao facto daquela eleita ter optado por seguir a sua carreira profissional. “Como ela é vice-directora dos Assuntos Fiscais optou pela sua carreira”, explicou Albuquerque, acrescentando que apesar do cargo não ser incompatível com o de vereadora o facto dos Assuntos Fiscais “mexer com matérias sigilosas” pesou na decisão tomada. Já a deputada do PND pediu a sua suspensão por um ano sendo substituída por Marcos Tavares.
“Mau gosto”, diz canha
O vereador eleito pelo PND, Gil Canha, afirmou no final da cerimónia de tomada de posse do novo Executivo que registou os ‘recados’ de Albuquerque durante o seu discurso e considerou-os de “mau gosto”, por isso “não bati palmas ao discurso do senhor presidente”. Gil Canha, que não mereceu aplausos de Jardim quando foi chamado para assinar a acta, disse ainda que reconhece “o incómodo muito grande para o regime jardinista o facto de nós termos entrado nesta cidadela”. O vereador eleito pelo PND esclareceu também que vai lutar prela igualdade de direitos e que está disponível para votar ao lado do PSD, desde que isso vá ao encontro do interesse da cidade e dos seus munícipes.
Óscar de Freitas Branco
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