Capacidade de escoamento da rede de águas pluviais

Diário de Notícias – Madeira

Primeiras chuvas ajudam a ‘desentupir’ problemas
À excepção de dois casos, problemas no escoamento são pontuais e difíceis de prever
Data: 02-10-2009

Todos os anos, o regresso das chuvas põe em evidência a falta de capacidade de escoamento da rede de águas pluviais. Tampas de adufas levantadas, inundações nos dois túneis da cota 40 e algumas vias com lençóis de água de vários centímetros de altura são alguns dos transtornos que os funchalenses voltaram a enfrentar na passada quarta-feira, nomeadamente durante o período de maior pluviosidade. Se o problema não é novo, porque é que ainda não foi encontrada uma solução? Instado ontem pelo DIÁRIO a comentar esta problemática, Henrique Costa Neves, vereador da Câmara Municipal do Funchal (CMF) com o pelouro do Ambiente, assegurou que a grande parte dos problemas são registados apenas no início da época das chuvas.

O autarca observou que os serviços municipais promovem, todos os anos, “a partir de Agosto, uma vistoria sistemática e intensa a todo o sistema de escoamento de águas pluviais”. Contudo, explicou que nem sempre as vistorias produzem conclusões fidedignas quanto á situação de desassoreamento da rede. “Por vezes ficamos com a sensação que as condutas estão desobstruídas, mas depois verificamos que há obstruções quando as condutas estão em carga, ou seja quando chove”.

Costa Neves defendeu que os problemas que vêm afectando algumas zonas da cidade com o aparecimento das primeiras chuvas decorrem “sempre e inevitavelmente de situações imprevisíveis e que não se conseguem visualizar”.

Tendo em conta este cenário já conhecido, a CMF tem destacado pessoal dos departamentos de Águas e das Obras Públicas e bombeiros para dar resposta a “eventuais situações em que se verifiquem ou obstruções ou colmatação de sarjetas”.

Foi a estas situações, observou o autarca, que resultam, sobretudo, da acumulação de folhagens e de outros materiais que são arrastados pelas águas e que chegam a provocar o entupimento interno de condutas, que mais uma vez se deu resposta na quarta-feira, à excepção de dois casos (vide caixa).

“O que se verificou foi o início da época das chuvas, mas tudo se resolveu rapidamente”, disse Costa Neves, antevendo, assim, um escoamento das águas pluviais sem complicações de maior com a ocorrência dos próximos episódios de pluviosidade.

duas obras urgentes

A Câmara Municipal do Funchal identificou duas zonas problemáticas que necessitam de intervenções de fundo por causa da falta de capacidade para escoar as águas pluviais. A inexistência de uma linha de água desde a zona da Achada até à Rua da Carreira, explicou Costa Neves, tem originado uma acumulação de água pluvial na zona da rua da Mouraria, dado que as condutas existentes não conseguem dar vazão quando se verificam picos intensos de chuva. “Esta situação só se irá resolver com o transvase que terá que ser feito para se desviar estas águas a montante, nomeadamente a partir da Rua das Capuchinhas, passando pelo Largo Severiano Ferras antes de serem descarregadas na Ribeira de Santa Luzia”, explicou. A segunda zona problemática foi identificada na confluência do túnel da cota 40 com a rua das Hortas e com o ribeirinho da Pena, acrescentou o autarca. As condutas da cota 40 desaguam neste curso de água, o qual está numa “zona muito baixa e que assoreia com frequência”. Neste caso a solução passa por, aquando da realização das obras de recuperação dos túneis da cota 40, proceder ao alargamento das zonas para onde as águas são drenadas e encaminhadas para a Ribeira de João Gomes.

Raul Caires

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