Trânsito – continua o caos

Trânsito espera por novas vias
Entrada e saída do Funchal mantêm-se complicadas, a esperança é a via expresso do porto
Data: 25-09-2009
Mesmo com a melhoria da rede viária e a conclusão da grande maioria das obras levadas a cabo no centro e arredores do Funchal, o trânsito continua a criar ‘dores de cabeça’ aos automobilistas, nas horas de ponta, em algumas entradas e saídas da cidade. Os últimos dias, com o regresso das aulas e o intensificar do movimento automóvel nas horas críticas, funcionaram como uma espécie de barómetro e vieram confirmar que as esperas nas filas de trânsito ainda não deixaram de ser um problema. Isso mesmo pôde constatar ontem o DIÁRIO, num périplo efectuado pelos locais tidos por mais complicados.
A Cota 40 e em especial o largo da Cruz Vermelha continua a ser uma das zonas de maior complexidade. O intenso tráfego que ali desemboca, oriundo dos túneis da Elias Garcia e São João, bem como da Rua 5 de Outubro, torna aquele local particularmente delicado, obrigando à presença permanente de agentes da PSP nas horas críticas, ou seja ao início da manhã e final de tarde.
Na zona da Calouste Gulbenkian, a situação melhorou consideravelmente após a instalação de semáforos junto ao Funchal Centrum e a adopção de novas regras de circulação na rotunda dos bombeiros. Mesmo assim, há filas consideráveis de manhã e à tarde.
À entrada da cidade, o maior problema vem de Oeste: o túnel da Estrada José Ornelas Camacho regista todas as manhãs uma fila de trânsito significativa, uma ‘herança’ do congestionamento que se forma lá mais para trás, nas ruas João Paulo II e Velha da Ajuda. Ali nas imediações, na zona do Lido, a Estrada Monumental também costuma sentir os efeitos do muito trânsito matinal.
Também na zona da Cruz de Carvalho as complicações de trânsito ocorrem sobretudo de manhã. No entanto, todos estes problemas decorrentes do trânsito que vai e vem da zona Oeste deverão ficar bastante facilitados com a abertura, em breve, da Via Expresso de acesso ao Porto do Funchal (ver página seguinte).
Viveiros em obras e a ‘conta gotas’
Ainda na parte inicial da Estrada Dr. João Abel de Freitas, já muito perto da rotunda dos Viveiros, nas horas de maior intensidade de tráfego a circulação automóvel faz-se a ‘conta gotas’. Mais à hora de almoço e à tarde do que na parte da manhã, já que aquela é, sobretudo, uma zona de saída da cidade. As obras em curso para a abertura do novo arruamento que vai ligar o Caminho dos Saltos à referida estrada são a causa do problema. Com uma faixa de rodagem encerrada ao trânsito, devido à movimentação de máquinas e operários, e um piso com pequenas valas que obrigam a reduzir a velocidade, é inevitável o afunilamento.
Escolas complicam zona da Pena
Na Rua Pedro José de Ornelas são crónicos os problemas de trânsito. Um traçado antigo e perfeitamente inadequado ao volume de trânsito actual, a juntar à existência de três estabelecimentos de ensino, tornam a Pena num verdadeiro suplício para os automobilistas.
Neste particular, os problemas de trânsito complicam-se sobremaneira perante a falta de civismo demonstrada por alguns pais, que chegam ao ponto de estacionar os seus carros em segunda fila enquanto esperam pela saída dos seus educandos.
Na zona Este da cidade, o problema de tráfego ficou bastante amenizado com a entrada em funcionamento da Avenida São Tiago Menor. Esta nova via (projectada nos tempos do Estado Novo), que faz a ligação entre o Campo da Barca e o Chão da Loba, veio retirar grande parte do volume de trânsito automóvel que se fazia sentir na Estrada Conde Carvalhal, em particular ao nível dos transportes públicos.
‘Aperto’ nos Viveiros dá briga para estacionar
Ondina Pereira mora na Rampa dos Viveiros. Sempre estacionou sem problemas na zona. Há cerca de um mês, a CMF limitou a ‘Moradores’ o estacionamento num parque anexo a um dos primeiros blocos do bairro.
O problema é que “há brigas” porque, alegadamente, uma das moradoras não deixa que lhe estacionem ‘à porta’. Limitados pela placa (sinalização vertical), os moradores refugiam-se noutros recantos da zona dos Viveiros (já pejada de carros e com poucas alternativas de estacionamento) quando têm um parque que passa os dias ‘às moscas”.
Ao que apurámos, ainda ninguém está a pagar por lugares de ‘moradores’. E, para minimizar o problema, a CMF, há cerca de um mês, numa intervenção questionável, permitiu o estacionamento regular numa das faixas da Rua 5 de Outubro.
Mas ainda há quem se veja na contingência de usar o distante (??) parque do ‘Modelo’ dos Viveiros ou quem arrisque uma multa parando em cima de passeios ou ‘linhas amarelas’. Isto porque, denunciam os moradores, há gente de longe que deixa de manhã o carro na faixa da 5 de Outubro e só há tarde, depois do trabalho, o vai buscar.
Contactado pelo DIÁRIO, o vice-presidente da CMF com o pelouro do trânsito, Bruno Pereira nega que haja ‘anarquia’ no estacionamento nos Viveiros. Reconhece que há famílias que moram nas encostas do vale que têm de deixar os seus carros na via pública e, por isso, a CMF tomou a decisão de “suprimir” uma das faixas da 5 de Outubro para estacionamento. Uma intervenção pouco ortodoxa que pode ser reversível quando as obras de reestruturação do bairro dos Viveiros tiver concluída (mais lugares para estacionar).
Bruno Pereira anunciou ainda que a CMF vai promover um “inquérito” aos residentes da zona para indagar quem é que pretende um lugar de ‘Morador’, naturalmente pago. São 24 euros por trimestre a requerimento dos interessados.
Os moradores estão dispostos a pagar para ter carro junto à sua casa.
Alternativa: Via Expresso do Porto do Funchal inaugurada a 2 de Outubro
O dia 2 de Outubro, pelas 18 horas, foi a data escolhida para a inauguração daquela que se perspectiva venha a ser a solução para muitos dos problemas de trânsito que afectam, actualmente, a capital madeirense – a Via Expresso de Acesso ao Porto do Funchal.
Uma obra importante em termos de descongestionamento de trânsito, uma vez que irá assegurar a ligação directa entre a baixa da cidade e a saída Oeste do Funchal, sinalizada como um dos pontos mais críticos ao nível do tráfego automóvel.
Esta nova ligação rodoviária, com um custo total de 28 milhões de euros e um financiamento comunitário de 70 por cento, tem um comprimento total de 1.446 metros, iniciando-se na rotunda do Porto do Funchal e terminando no antigo Caminho do Pilar, zona onde foi concebido o Nó da Levada do Cavalo, de ligação à Estrada da Liberdade.
Logo na fase inicial desta via expresso existe um túnel com cerca de 670 metros de comprimento, construído sob a zona urbana envolvente das avenidas do Infante e Luís de Camões e entre os hotéis Savoy e Casino Park, que finaliza no vale do Ribeiro Seco, entre a ponte com o mesmo nome e a rotunda da Quinta Magnólia. O restante do traçado acompanha o leito do Ribeiro Seco, até à referida zona do Pilar.
A abertura desta acessibilidade tem outra implicação importante ao nível do tráfego automóvel, com a reintrodução do trânsito nos dois sentidos na Rua Carvalho Araújo, embora somente até à Rua Imperatriz Dona Amélia. Durante o período de obras da Via Expresso, a circulação de viaturas naquela via ficou limitada ao sentido descendente, embora permitindo a subida a partir das unidades hoteleiras ali existentes.
Avenida do Amparo repõe prioridades na Nazaré
A abertura da nova Avenida do Amparo, hoje, às 18 horas, vai provocar uma pequena ‘revolução’ no trânsito na zona oeste da cidade do Funchal. Sobretudo nas zonas dos Piornais, Nazaré e Ajuda.
Com a nova via, o Departamento de Trânsito da Câmara do Funchal (CMF) redefiniu a circulação e prioridades, sobretudo na Nazaré, repondo a situação existente antes das mudanças ditadas pelas obras (Junho último). Avenida do Brasil, Caminho do Regedor, Caminho do Amparo, Caminho do Engenho Velho, Caminho de São Martinho e Avenida Estados Unidos da América sofrerão alguns reajustes.
A Avenida Estados Unidos da América passa a ter prioridades face às demais. O Caminho do Regedor e Avenida do Brasil passam a perder a prioridade.
A Avenida do Vale da Ajuda deixa de ter continuidade para a ‘Ilma’. O Caminho do Engenho Velho foi ‘cortado’. Quem desce e quem sobe terá, inevitavelmente, de entrar na Avenida do Amparo.
Daí que a CMF sugira alguma prudência a quem vai experimentar a nova via que estará aberta à circulação a partir das 20 horas de hoje. É que a Avenida do Amparo, entre a rotunda da ‘Prebel’ e a rotunda da ASSICOM (Estrada Monumental) tem, em quase toda a sua extensão, separadores centrais. O que significa que não pode ser atravessada a não ser nas rotundas.
A Avenida do Amparo apresenta-se com alternativa ao descongestionamento das consideradas cias clássicas de saída e entrada do Funchal. O troço de acesso hoje inaugurado liga à Avenida D. Teodoro de Faria e, consequentemente, à via-rápida (cota 200).
São quatro vias (duas em casa sentido), estacionamentos e passeios. Com uma extensão aproximada de 1.200 metros a nova via do Amparo restabelece a circulação em três vias existentes; foram criadas duas rotundas, sendo uma delas bastante alongada com 15 mil m2 de área interna (futuro jardim público), vários muros de betão, alguns ancorados, equipamentos de segurança, sinalização e iluminação e integração paisagística. O valor da obra foi de 10,5 milhões de euros.
Sobre as mudanças decorrentes da abertura da via-expresso para o porto do Funchal (2 de Outubro próximo) a única mudança visível será na Carvalho Araújo. Actualmente só tem sentido descendente. A partir de 2 de Outubro terá também sentido ascendente (trânsito local) só até à Imperatriz Dona Amélia (não vai até à ponte do Ribeiro Seco).
Nélio Gomes e Emanuel Silva
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