São Tiago Menor – Padroeiro do Funchal
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Santiago Menor
Tiago, filho de Alfeu, também conhecido como Santiago Menor (para distingui-lo de Santiago Maior e Tiago, o Justo), é referido pelos católicos romanos no Novo Testamento como um irmão do apóstolo Judas e filho de Maria, esposa de Cléofas. Segundo a Igreja Católica, foi o primeiro bispo de Jerusalém (anos 42 a 62 d.C) e o mesmo que escreveu a epístola canónica de São Tiago, uma das Epístolas do Novo Testamento. Embora haja discordâncias, é constantemente tido como não sendo Tiago, o Justo irmão de Jesus.
Tiago tomou para si o encargo de dirigir a Igreja de Jerusalém após a partida de Pedro e que participou activamente do primeiro Concílio da Igreja, que tratava da questão da circuncisão e da pregação do evangelho para os pagãos, evento este que teria ocorrido por volta de 54 d.C.. De facto, tal tradição é reconhecida e confirmada por Eusébio de Cesaréia, que narra ter sido este apóstolo o líder da comunidade cristã daquele local por cerca de dezoito anos e que sua conduta piedosa e actuante provocou a fúria dos sacerdotes judeus, em especial o sumo sacerdote Anás II, que instigaram as turbas dos judeus a trucidarem o apóstolo, apedrejando-o até a morte.
O padroeiro da Cidade
No ano de 1521, quando o Rei D. Manuel faleceu, o Funchal era fustigado por uma grande mortandade de peste que já durava há dois anos. Foi nessa altura feita uma procissão pedindo ajuda ao padroeiro Santiago Menor, que se repetiu nos anos seguintes.
Em 1538 existia um surto de peste na altura da procissão e o Guarda Mor da Saúde disse no meio da cerimónia “Senhor, até aqui guardei esta Cidade com pude; não posso mais aqui tendes a vara, sêde vós o Guarda da Saude”. E largou a vara, e se deu por desobrigado de guardar a Cidade e desde esse momento todos os feridos melhoraram e não se deu mais nenhum caso de peste.
A 22 de Junho de 1632, o senado funchalense lavrou um novo auto, destinado a patentear e confirmar o agradecimento dos madeirenses ao seu padroeiro São Tiago Menor e onde se lêem as seguintes palavras: “Nunca mais nesta ilha houve o dito mal (peste), antes he verdade que vindo a esta ilha muitas vezes alguns navios com homens feridos deste mal a quem se dava degredo nas prayas fóra desta cidade, em as quais algumas vezes morreram alguns do dito mal, nunca entrou nem se pegou o dito na gente da terra.”
A Peste
A peste foi uma pandemia que assolou a Europa durante a idade média dizimando um terço da sua população. Sabemos hoje que a Peste Negra foi causada pela bactéria Yersinia pestis, sendo transmitida ao ser humano através das pulgas dos ratos.
Esta pandemia dizimou a população, mas também em larga medida destruiu a cultura vigente do feudalismo, fazendo que com o crescimento populacional que se seguiu surgisse o período das descobertas e do renascimento.
Durante o período da revolução provocada pela peste, instituições milenares como a Igreja Católica foram questionadas, novas formas de religião místicas e de pensar prosperaram e minorias inocentes como os leprosos e os judeus foram perseguidas e acusadas de serem a causa da peste.
Os cidadãos que tinham a doença eram obrigados a sair das cidades por 40 dias (quarentena) para provar que não estavam doentes e dessa forma se evitou a propagação da doença.
Só no final do século XIX (1894) é que foi descoberta da bactéria e a forma de transmissão da doença.
Revivalismo
Em 1942 a Câmara Municipal decidiu fazer reviver as antigas homenagens ao padroeiro com a procissão no 1.º de Maio.
Vem desse tempo o costume da Câmara, logo que entra na Igreja do Socorro, largar as varas nos degraus do altar-mor nas procissões do 1.º de Maio evocando as palavras e actos do Guarda Mor da Saúde de 1538.
Fonte: diversos artigos da Wikipedia
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