Infecções atingem 8% dos internamentos

Diário de Notícias – Madeira

“Desde fevereiro que vivemos este inferno”
Taxa de infecções hospitalares atinge cerca de 8% dos internamentos
Há seis meses, uma jovem de 24 anos entrou no HCF com dores na parte superior do abdómen e saiu com uma infecção hospitalar. A mãe conta o drama.
Data: 02-09-2009

A 26 de Fevereiro último, a filha de São Constantino deu entrada no Hospital Central do Funchal (HCF), queixando-se de dores na parte superior do abdómen e vómitos. Depois de vários exames e de os médicos terem desconfiado de uma possível gravidez – entretanto não confirmada -, de um quisto hemorrágico e de um problema de vesícula, a jovem, de 24 anos, foi operada. A partir daí, tudo mudou na vida de ambas, sucedendo-se episódios que puseram em prova a vida da jovem, devido a uma infecção hospitalar que contraiu. “Desde Fevereiro que ambas vivemos este inferno”, frisou.

Segundo a mãe, a filha foi operada sem os médicos terem certezas quanto ao diagnóstico. São Constantino relatou ao DIÁRIO que, no final da operação, perguntou a um dos médicos como correra a intervenção. “Inconclusiva” foi o que terá respondido, acrescentado também que tinham retirado o apêndice à filha, que seguiu posteriormente para “análise patológica”.

Horas depois, São Constantino visitou-a. A filha encontrava-se bem, sem dores, mas ainda a soro. Terminado o horário das visitas, a jovem ligou-lhe, queixando-se de “uma tosse irritativa que lhe sufocava a respiração”. “Confesso que não dei muita importância a isso, afinal, ela tinha sido submetida a uma cirurgia com anestesia geral e a tosse era o de menos”, apontou. Já em casa, ao final da noite nesse mesmo dia, telefonaram do HCF. A filha tinha acabado de dar entrada nos Cuidados Intensivos “por agravamento do quadro clínico e com edema agudo no pulmão”. De novo no Serviço de Urgências, a São Constantino comunicaram que, afinal, a jovem tinha uma sepsis.

Nos Cuidados Intensivos, o coma foi induzido e informaram que o estado era “bastante preocupante”. Até 2 de Março, a jovem esteve ventilada. Entretanto, ao sair dos Cuidados Intensivos, foi levada directamente para a Unidade de Cuidados Intensivos Coronários. O novo diagnóstico apontava para uma “depressão severa da função ventricular esquerda, na provável dependência de miocardite”. A progenitora ficou sem perceber o que se passava, uma vez que lhe tinham falado em sepsis, uma infecção generalizada.

A 17 de Março, a jovem teve alta, mas, no mesmo dia, regressou ao hospital, com dificuldades respiratórias e franco agravamento do quadro clínico. Após procurar respostas para o que estava a acontecer, a filha é transferida para o Hospital da Universidade de Coimbra. O quadro clínico era complexo. Nesse hospital, ficou internada 31 dias, tendo sido submetida a várias análises e estudos. “A equipa médica desconhece o que se passou, o que está na origem desta miocardite que tudo aponta ser viral e ter sido colhida no bloco operatório, aquando da célebre intervenção cirúrgica ao apêndice”, contou a mãe. Até a hipótese de um possível transplante de coração foi colocada e tal só não aconteceu devido a uma melhoria do quadro clínico da jovem. Contudo, os marcadores inflamatórios só se mantinham negativos com a administração de cortisona, cujos efeitos secundários são muito nocivos a longo prazo.

São Constantino apontou ainda que, aquando do terceiro internamento, no HCF, a 21 de Junho passado, durante os primeiros oito dias, três dos medicamentos prescritos foram-lhe pedidos “porque o hospital não tinha”. Mais tarde foi-lhe comunicado que tudo não tinha passado de “um mal entendido”.

“Desde Fevereiro que ambas vivemos este inferno, até aí a minha filha era uma jovem saudável, cheia de energia e com grandes projectos para o futuro, elegante e super bem disposta. Actualmente, apresenta aspecto típico ‘cushingóide’ (face em ‘lua cheia’, pescoço em ‘dorso de búfalo’, obesidade central e apetite aumentado)”, sublinhou a mãe da jovem, que se encontrava a frequentar o último ano do curso de Serviço Social.

A filha de São é agora acompanhada por uma outra equipa médica, que, segundo a mãe, tudo tenta fazer no sentido de restabelecer a saúde da jovem e determinar as causas do diagnóstico actual: um processo inflamatório no sistema imunológico que se mantém activo com vários episódios de recrudescimento e uma miocardite de origem desconhecida. Muito recentemente, a jovem deslocou-se ao Hospital da Universidade de Coimbra para realizar uma biópsia cardíaca, cujo resultado revelou que, a este nível, tudo se encontra bem. Contudo, com o sistema imunitário em baixa, a jovem está a realizar um tratamento de seis meses com um médico da especialidade, embora não saibam se vai ter o resultado desejado. “É um tiro no escuro”, afirmou a mãe.

Reacção do SESARAM

Infecções são frequentes

Contactado pelo DIÁRIO, o director clínico do Serviço de Saúde da Região (SESARAM), Miguel Ferreira, referiu ter conhecimento do caso, mas afirmou que, no que diz respeito a infecções nosocomiais – infecções ganhas em meios hospitalares -, “não há nada a fazer”.

“Não há nada a fazer para matar as bactérias”, referiu, apontando que “quando se mete um pé num hospital”, estas situações são susceptíveis de acontecer. Miguel Ferreira sublinhou que estes casos são sempre complicados, que até “aparecem com alguma frequência” e confirmou que o que aconteceu com a filha de São Constantino foi mesmo uma “infecção que afectou o miocárdio”, daí ter estado internada na Cardiologia.

O director clínico do SESARAM frisou ainda que problemas relacionados com bactérias formadas e que ‘vivem’ nos meios hospitalares constituem uma preocupação, não apenas no caso do HCF, mas em todo o mundo, sendo tema de seminários científicos em muitos países, uma vez que não há respostas.

Quanto à opinião da mãe de que os médicos operaram sem certezas em relação ao diagnóstico, Miguel Ferreira não acredita que os colegas de profissão tenham operado “levianamente”. “Eu não acredito que os colegas tenham operado por operar”, apontou, explicando que o que poderá eventualmente ter acontecido é ter falhado uma forte suspeita do diagnóstico feito.

Segundo o coordenador da Comissão de Controlo da Infecção, Miguel Silva, a taxa de infecções hospitalares atinge 8% dos internamentos, segundo um inquérito realizado em Março último.

» Leia na íntegra o testemunho “Hospital também Mata” escrito pela mãe.

Zélia Castro

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1 Comentário »

 
  • sem querer fazer disto publicidade
    a algo no mercado que é muito bom para o nosso sistema imunitario
    acho que deviam pesquisar no google: factores de transferencia

    ajuda a nos prevenir das doenças…
    em alguns casos ate tem curado o cancro e muito mais
    pesquisem por favor…a sua saude ta em 1º lugar

    qualquer coisa contactem-me
    duarte4@live.com.pt

 

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