Comboio do Monte – algumas contas
No entanto, os dados que hoje vieram a público sobre o custo da obra levantam-nos sérias preocupações sobre a viabilidade económica do projecto.
O Diário de Notícias afirmava hoje que o projecto custaria 6,5 milhões de euros, que o veículo terá capacidade para 60 passageiros (43 lugares sentados e 17 em pé) e que percorrerá uma distância de 1.300 metros.
É certo que este é um projecto privado que conjuga o percurso de comboio com as eventuais receitas adicionais na Quinta do Terreiro da Luta.
Mas façamos algumas contas simples… Suponhamos que o preço do bilhete custa 4€ e que deste valor 50% serve para suportar custos operacionais (salários, manutenção, etc). Ou seja, a margem de contribuição unitária por cada bilhete vendido são 2€.
Se assim for, para recuperar o investimento realizado num prazo razoável de 10 anos, sem contar com a inflação ou juros, é necessário transportar em média por dia, ao longo dos próximos 10 anos, 890 passageiros/dia, ou seja, são necessárias 15 viagens em cada sentido diariamente…
Arriscado… no mínimo, é um investimento muito arriscado…
Apenas como termo de comparação, a empresa Horários do Funchal faz cerca de 108 percursos entre o Centro e o Monte nas 5 carreiras (20, 20A, 21, 21A e 22).
Se presumirmos que a ocupação nesta carreira é idêntica à média da empresa 30% (o que é uma pressuposto demasiado optimista), então os HF transportarão cerca de 2250 passageiros/dia nas carreiras do Monte…
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