Pela Madeira Dentro – Sé (2)

Diário de Notícias – Madeira

P’la Madeira dentro
Segurança é prioridade
Candidata do PS-M propõe sistema de video-vigilância nas ruas do centro do Funchal.
Data: 20-08-2009

È a freguesia do Funchal com menos habitantes, mas por onde passam, diariamente, muitos milhares de pessoas. A Sé, que tem uma área geográfica que compreende, sobretudo, a baixa da cidade, tem inscritos 2.977 eleitores. Um número que até deve ser superior ao de residentes.

Desde sempre um feudo social-democrata, há quatro anos os eleitores voltaram a garantir uma vitória folgada a Alcindo Ferreira (54,3%) que está à frente da Junta de Freguesia há quase duas décadas. Em Outubro, concorre a mais um mandato.

Segurança preocupa

A freguesia é caracterizada, sobretudo, por ter grande parte do comércio tradicional do Funchal e uma percentagem muito significativa dos serviços. A segurança é um dos problemas que há muito é apontado por empresários e moradores.

Tânia Gonçalves, candidata do PS à junta, defende “mais policiamento” e admite que certas ruas da baixa possam ter um sistema de video-vigilância “para dar mais segurança ás pessoas”.

A prostituição, sobretudo no quarteirão do Dolce Vita e a situação dos sem-abrigo, na zona do Carmo e do Anadia, são outros dramas que a candidata socialista aponta.

Em relação à prostituição e à mendicidade organizada, defende maior “fiscalização para encontrar quem explora essas pessoas”.

Tânia Gonçalves também propõe a criação de uma espaço para que as associações de solidariedade possam desenvolver o seu trabalho de apoio aos sem-abrigo.

Alcindo Ferreira reconhece que a falta de segurança, embora não seja de extrema gravidade, obriga a que sejam tomadas medidas. “Estamos a viver momentos difíceis e o problema da segurança coloca-se, não só em relação ao comércio, como em relação aos residentes e aos turistas”, afirma.

O presidente da Junta de Freguesia da Sé lembra que desde há vários anos que alerta para falta de segurança. “Somos uma cidade virada para o turismo e as entidades responsáveis por estas questões devem ter ainda mais cuidado”, justifica o autarca que refere o esforço feito pela PSP no policiamento da baixa do Funchal.

No que se refere à prostituição, não acredita que seja possível erradicar o problema, mas lembra que a situação é muito diferente da que se vivia em 1974/75, “quando a actividade era generalizada no centro do Funchal”. O caso do quarteirão do antigo Leacock exige atenção, bem como situações de “toxicodependência e mendicidade” que, no entanto, “são comuns a muitas cidades”.

‘Shopping’ a céu aberto

As queixas dos comerciantes do centro do Funchal têm sido uma constante, desde há vários anos. A concorrência das grandes superfícies é apontada como a principal razão para a quebra de receitas.

Tânia Gonçalves acredita que a solução passa por copiar o modelo de funcionamento dos centros comerciais e adaptá-lo ao comércio tradicional.

“Temos de transformar a baixa do Funchal num centro comercial ao ar livre, com animação diária e com horários mais alargados”, propõe a candidata do PS-M.

Os socialistas também consideram importante para a dinamização do comércio, maiores facilidades de estacionamento, nomeadamente através de protocolos com a Câmara Municipal do Funchal que permitam fazer “descontos significativos”.

“Programa cumprido”

Alcindo Ferreira recorda que foi feito todo um esforço de “valorização” do centro do Funchal, nomeadamente na zona histórica da Sé, que ajudou a revitalizar o comércio tradicional. Os programas PROCOM, URBCOM e POP-III, com apoios específicos para modernização de espaços comercias, permitiram manter muitas empresas.

“O problema do comércio tradicional não é só desta freguesia, é uma problema das grandes cidades”, justifica.

A junta de freguesia e a câmara, recorda o autarca, fizeram várias obras, ao longo deste mandato, que permitiram melhorar o centro do Funchal. Recuperação de arruamentos e passeios, a construção de 6.300 metros de rede de águas residuais e 3.500 metros de rede de água potável, são obras de referência.

“Cumprimos todo o programa para estes quatro anos, a última obra foi o centro de convívio, no edifício 2000, vocacionado para a população sénior”, refere o autarca.

Tânia Gonçalves considera essencial que se melhore a “imagem” da baixa da cidade, sobretudo porque é a porta por onde entram milhares de turistas, mas Alcindo Ferreira contrapõe com o esforço de dar mais “qualidade” ao Funchal. Além da animação, com as ‘Festas da Sé’, os santos populares e eventos musicais, o presidente da junta enumera uma série de obras, “realizadas pela câmara e pelo Governo Regional”, como a recuperação da Ponte do Bettencourt e o túnel de ligação ao Porto do Funchal que contribuem para melhorar a cidade.

“Podemos ter orgulho numa cidade limpa e bonita”, garante.

Habitação no centro

Outra prioridade da junta, que também é partilhada pela câmara, é aumentar o número de pessoas a morar no centro do Funchal. Revitalizar a baixa passa, sobretudo, por fixar a população, o que também contribui para aumentar a segurança.

“Fizemos um grande esforço, em colaboração com o Instituto da Habitação e a Câmara do Funchal, na quase total erradicação da habitação precária, na área geográfica da freguesia”, recorda. Por outro lado, Alcindo Ferreira destaca, ao nível do urbanismo, o aparecimento de focos habitacionais, como são os casos do Anadia, zona do Carmo e Funchal Centrum.

“Vai nascer mais habitação noutras áreas da Sé”, promete o presidente da junta.

Campanha difícil: Poucos eleitores condicionam resultado

Fazer campanha eleitoral na Sé é uma tarefa complicada, sobretudo porque os eleitores não são facilmente identificáveis, são poucos e grande parte reside fora da freguesia. Tânia Gonçalves reconhece que é “muito difícil ganhar votos porque é difícil contactar os eleitores”. O programa do PS-M para esta freguesia é mais geral e dirige-se a toda a população do Funchal. “O programa não é apenas para os residentes, é para todos os que aqui passam”.

Alcindo Ferreira está há vários mandatos à frente da junta de freguesia mas justifica o facto com a “confiança” dos moradores na Sé.

“Penso que o trabalho feito, ao nível do Governo Regional, da Câmara do Funchal e da Junta, vai merecer, mais uma vez, a confiança das pessoas”, afirma.

O candidato do PSD-M defende, para o próximo mandato um reforço na aposta na “qualidade” e a necessidade de “repensar a cidade” porque, reconhece, “nem tudo está bem e há coisas que podem ser melhoradas”.

Há quatro anos, votaram na freguesia da Sé 1374 dos 2644 eleitores inscritos, o que conduziu à maior taxa de abstenção no concelho (48%). Mesmo assim, o PSD-M conseguiu 747 votos (54,4%), contra 322 do PS (23,$%). O CDS-PP é a terceira força da freguesia, com 156 votos que correspondem a 11,3% dos votantes. Os outros partidos tiveram votações na casa das dezenas.

Jorge Freitas Sousa

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