Pela Madeira Dentro – São Pedro (2)

Diário de Notícias – Madeira

“Temos de dividir o pouco que há”
Candidato do PSD à Junta de Freguesia de São Pedro, José Rafael Aguiar quer fazer mais.
Data: 16-08-2009

Uma freguesia envelhecida, com a sua quota de jovens, gente a precisar de apoio devido às situações de carência financeira, mas pouco dinheiro disponível nos cofres da entidade pública mais próxima das pessoas, a Junta de Freguesia. Assim se resume o dia-a-dia de São Pedro.

Um dos três núcleos históricos do Funchal, criada a 20 de Julho de 1566, é a única Junta que não tem sede no território que administra. Deixará de ser assim, após o anúncio da construção do novo edificio na Achada, ao pé da Fortaleza do Pico.

É por aqui que começa a conversa com o secretário da Junta e candidato indicado pelo PSD às próximas eleições, daqui a menos de dois meses, José Rafael Freitas de Aguiar. “A obra está no Programa do Governo até 2011, portanto está dentro do prazo”, refere. “Muitos exigem polivalentes e outras infraestruturas. Eu quero ver, daqui a uns anos, como vai ser manter tudo isso. A futura sede é o que pedimos quando fomos consultados, e terá todas as condições de trabalho, com uma sala polivalente de 50 por 50 metros para a Assembleia de Freguesia reunir, mas também para receber, em especial, a terceira idade que nos procura”.

Trabalho social prioritário

Com a nova sede, mais fácil se tornará o serviço à população de São Pedro. Mesmo assim e só com cerca de 76 mil euros anuais nos cofres, Rafael Freitas Aguiar faz as contas ao que tem sido possível fazer. “Só este ano levamos cerca de 300 idosos ao Porto Santo e vamos levar mais 200 com a colaboração da Câmara. Além disso fizemos quatro passeios pela Madeira. Normalmente há gente que critica estas iniciativas, mas esquece-se que são momentos de alegria. Quem tem o seu carro nem vê o horizonte e as dificuldades que outros cidadãos vivem”.

É na área social, com apoios aos muitos idosos, com cerca de 40 cabazes de compras, festas no Natal com jovens, 10 bolsas de estudo e livros a crianças de famílias carenciadas, várias actividades ao longo do ano, culturais e lúdicas, que reside o grosso do trabalho da Junta.

Como refere, “quanto mais dinheiro houvesse melhor”. Mas com o pouco que há e os cortes que o Governo central fez – cerca de 5 milhões de euros às freguesias -, o ‘garote’ financeiro implica menos para as pessoas. “É preciso saber dividir para todos o pouco que temos. Com um orçamento bem pequenino e com a ajuda das associações de caridade, já fazemos muito”, acrescenta.

Numa freguesia com muita habitação antiga, há sempre uma casa a precisar de melhoramentos. “O nosso grande sonho era ter um Lar e Centro de Dia na freguesia, apesar de já termos alguns pequenos”, deseja Rafael Freitas Aguiar. “Só o nosso programa de limpeza custa-nos 19 mil euros anuais e uma das grandes colaborações da Câmara através do contrato-programa, que acaba por ser um estanque a muita coisa”.

Dinheiro não é desculpa

A verdade é que “não se pode fazer projectos sem a ajuda do Governo Regional ou da Câmara”, reconhece. “O contrário seria o suicídio”, pois com o “garrote que nos é imposto, é impossível fazer melhor”. Em muitos casos, há que “resolver na hora” e não “fechar os olhos e pôr palas nos olhos”, acrescenta.

Rafael Freitas Aguiar critica ainda reportagens que falam de prostituição em São Pedro quando é na Sé ou inaugurações de lares em São Pedro que os jornalistas dizem ser em Santo António. Está disposto a levar jornalistas a conhecerem a realidade local, para evitar enganos futuros. “Depois dizem que São Pedro não faz nada, não tem nada”, lamenta.

As relações com a oposição na Junta de Freguesia também merecem uma referência. “Até hoje nunca tive divergências, apesar de todos termos modos de pensar diferente”, assegura. “Cá dentro sempre houve respeito dos quatro partidos representados [PSD, PS, CDS e CDU], não digo que colaboração, mas sim abstenção. Uma das coisas negativas da oposição PS é que, quando houve o ‘garrote’, não se manifestaram porque era da sua cor política. É mau”.

Já o candidato indicado pelo Partido Socialista, Agostinho Soares é bastante crítico quanto ao trabalho da Junta de Freguesia liderada pelos social-democratas. “Há muitos problemas sociais a resolver, principalmente na habitação e, em específico, no Bairro do Hospital que merecem um acompanhamento mais próximo da Junta, e o mesmo acontece com o Bairro dos Viveiros, que continua a ter obras de edificação do novo bairro a decorrer há muito tempo”, são dois exemplos.

Quanto a outros problemas, São Pedro debate-se com questões na área cultural. Agostinho Soares enumera: “Há um guia turístico dos locais históricos que não é difundido nos hotéis. Por ter uma área quase toda urbana, a Junta deve ter um papel muito mais dinâmico na cultura, que não pode ficar pelo “Funchal a Cantar” e pouco mais, sem mobilizar a população. Nem as festas de São João, ultimamente com mais projecção, chegam a atingir os níveis de outrora. Na Rua das Cruzes, no que foi o primeiro hospital, junto à Capela de São Pedro e da antiga casa de João Gonçalves Zarco, continua-se sem fazer nada e é ninho de ratos. É importante dar apoio às pessoas com cabazes no Natal, mas a Junta tem de fazer mais para que no futuro as pessoas não precisem desta ajuda. É preciso apoios práticos, principalmente aos jovens com dificuldades em continuar os estudos”.

Com estas e outras ideias, Agostinho Soares quer-se apresentar aos eleitores, sem esquecer de lembrar que “não é só a falta de dinheiro que impede mais trabalho”. E conclui: “Há poderes efectivos que podem ser accionados, nomeadamente nas relações privilegiadas com as Câmaras e governos regional ou central, para acudir às necessidades das populações. A grande questão é que falta vontade política e visão. Há que apostar na formação dos jovens. São Pedro é a única freguesia que não tem clube desportivo ou agremiação cultural com apoio da Junta”.

Do lado dos social-democratas há ainda muita obra por fazer no programa apresentado há quatro anos: a beneficiação do Palácio de São Pedro, a recuperação do túnel da Cota 40, a Rua 5 de Outubro já está sendo asfaltada, a Rua das Frias já foi lançado e, para breve, o alargamento da Travessa Cruz de Carvalho, a Escola da Achada, que passa para São Roque, será inaugurado em Setembro, entre outros projectos. A última inauguração do Miradouro da Achada tirou mato e lixo da zona.

Além destes, há os candidatos do CDS e da CDU, que pretenderão ao mínimo manter os eleitos de 2005. Aos cerca de 8 mil eleitores da freguesia que completa 444 anos em 2010, concordando ou não com o trabalho do PSD, caberá a decisão.

Inquérito: Como avalia a acção da Junta?

Jorge Pestana, 52, morador
“Na zona da Achada falta uma farmácia, um banco e os correios. Pois custa muito, principalmente aos idosos, ter que ir até ao centro. Não faltam bares, temos multibanco, mas já não temos minimercado”.

Alfredo Marote, 62, Reformado
“O nosso maior problema são os estacionamentos. Podiam marcar os lugares de estacionamento, pois vem gente de fora e a Câmara nada faz. A polícia também nada faz”.

Leonor de Freitas, 61, Comerciante
“Para falar a verdade, de positivo não vejo nada. Não os vejo fazer nada. Fazem alguns remendos na estrada, mas os moradores nesta rua não podem estacionar”.

Francisco José Cardoso

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