Pela Madeira Dentro – São Gonçalo (2)

Diário de Notícias – Madeira

P’la Madeira dentro
Eleições duplas baralham votantes em São Gonçalo
“Sabe como é”… Em São Gonçalo, também há medo de falar sobre política.
Data: 12-08-2009

“Na Madeira, se perguntar a alguém quem vai ganhar as eleições para a Assembleia da República, vão lhe dizer que é o Jardim”. Nélio tem muito para dizer sobre a política. O que não partilha é o sobrenome: Nélio, chega! O pintor que traz ao peito o rosto de Che Guevara estampado sobre uma t-shirt azul é apenas uma das pessoas que, em São Gonçalo, recusa uma identificação completa. “Sabe como é…”.

Tanto se repete a frase que até parece ensaiada. Não falta também quem prefira o silêncio a tecer qualquer comentário sobre a freguesia funchalense.

É a ironia contundente aquilo que melhor distingue o pintor dos restantes companheiros sem palavras para jornalistas, sobretudo se são do DIÁRIO. Nélio também já teve “problemas” por ter dado a sua opinião. Falar, agora, só sem fotos.

Conhece bem quem o PSD escolheu para candidatar à Junta de São Gonçalo. “Oposição! Mas, existem outros partidos?. Nélio nem estranha que a propaganda autárquica esteja “fraca” em São Gonçalo. “Não vale a pena que isto já está ganho”, esclarece.

Ramos é um sobrenome que, com certeza, ninguém vai associar à funcionária pública de 55 anos. Se é para falar de política, Vânia prefere assim.

“Com duas eleições tão perto uma da outra, é difícil reconhecer os candidatos”. O reparo da funchalense vem a propósito de “não se saber ainda quem são os candidatos à Junta”.

Sobre as candidaturas para as legislativas, Vanda está esclarecida, até porque os cartazes abundam em São Gonçalo. O problema são as autárquicas. “Tem ali um cartaz da CDU, mas quem é o candidato? Nem sequer tem uma cara”, queixa-se.

A João Machado, a funcionária pública conhece bem. Critica-lhe as falhas na limpeza da freguesia. “Mas ainda assim, o anterior presidente da Junta foi pior porque só se preocupava em abrir estradas perto do que era dele”, acusa.

De resto, afiança Vanda, “não temos cá na Madeira, alguém que nos ajude a sair desta crise … e o Jardim, já se sabe, não pode fazer tudo…”.

Votar às escuras, escolher na hora

Não se pense que Teresa Rosário não cumpre o seu dever cívico. “Vou votar, sempre”, assegura a reformada sob o sol demasiado quente para a praia.

Com que critérios vota a reformada de 71 anos é quem nem ela própria sabe bem. “Não gosto de política, não tenho paciência… vou votar e na hora escolho”, explica.

Teresa gosta de folclore, de música popular e do café que serve de protesto para se juntar com as amigas, “um bocadinho”, ao início da tarde. Aos 71 anos, acredita que a vida já lhe concedeu o direito de só se interessar pelo que gosta verdadeiramente.

“Não sei nada de candidatos…. isto agora há tanto partido que até me faz confusão”. Dos políticos que “vão ao bairro fazer propaganda”, Teresa pouco sabe. Avaliar o trabalho da actual Junta de Freguesia também é “uma coisa” que diz não saber fazer. Certezas, só tem uma: “mudar para quê? O melhor, é deixar as coisas como estão”.

Segue a reformada para o café que, enquanto isso, Rosa Faria aguarda pelo autocarro. Sai mais um nome fictício. Só assim se fala, se o tema são os políticas e a política em São Gonçalo.

“Vamos vendo como as coisas se vão passando e vai-se escolhendo, uma vez um, outra vez outro partido”, começa por dizer.

O voto decide-se sempre por pelo partido e não pelos candidatos, que esses “é mais difícil conhecer quem realmente é bom”.

Sobre a disputa eleitoral para as próximas autárquicas, Rosa acredita que vai ser complicado encontrar a verdade por entre tantas promessas. “Dizem tanta coisa…”.

Quem nada disse ao ‘Pla Madeira Dentro’ foi João Machado que se encontra de férias. O social-democrata sucedeu a Jorge Carvalho quando o presidente eleito, em 2005, com 1654 votos, foi nomeado director regional da Juventude.

Olhando para o escrutínio de há quatro anos, o PSD parte em vantagem para as eleições de Outubro, mas o PS – que em 2005 conquistou 1601 – promete ‘dar luta’ na campanha para as eleições de Outubro.

Pelo Partido Socialista em São Gonçalo, José Henriques é o nome que se fala. O funcionário público não confirma, para já, mas responde enquanto responsável na freguesia.

À demora na recuperação do bairro de São Gonçalo, o funcionário público acrescenta a falta de infra-estruturas capazes de atrair visitantes para “uma freguesia abandonada”. Um jardim, um parque infantil e mais actividades culturais são reivindicações do PS.

José Henriques pede uma mudança em São Gonçalo. Que mude a cor da Junta, “se não for para o PS, que seja para outro que não o PSD”.

Inquérito: Como avalia a acção da Junta?

Jorge Teixeira, reformado
“A limpeza está muito mal. A junta esqueceu o bairro de São Gonçalo… Mesmo assim, mais quero este do PSD do que outro de outro partido”.

Leandro Freitas, Reformado
“Tem feito um trabalho mais ou menos…. Há umas coisinhas que não estão bem , mas já é muito bom, se não aparecer outro pior do que este”.

Ana Freitas, Reformada
“Não tem feito muito coisa. Para dar um exemplo, fui lá uma vez pedir remédio para os ratos e a bicharada que anda aqui no bairro de São Gonçalo e nem nisso ajudaram. Era bom que mudasse o partido”.

Patrícia Gaspar

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