Pela Madeira Dentro – Santo António (2)

Diário de Notícias – Madeira

P’la Madeira dentro
Santo António ainda espera pelas obras do Governo
Câmara e Governo prometeram jardins e rotundas mas Santo António continua à espera.
Data: 13-08-2009

A freguesia sobe da periferia do centro do Funchal até avistar o Curral das Freiras. Um percurso cheio de contrastes, com cenários urbanos, bairros sociais e zonas altas onde ainda estão por resolver problemas básicos, como o saneamento e os transportes públicos. São perto de 24 mil eleitores e, segundo uma estimativa – os números variaram muito desde o Censo 2001 -, cerca de 30 mil habitantes. Santo António supera, em população, quase todos os concelhos da Região.

Com um orçamento que Rui Santos, actual secretário e vogal há três mandatos, considera claramente “insuficiente”, a Junta de Freguesia tem apostado no apoio aos idosos, nos acesso às estradas e, sobretudo, na reivindicação de obras de maior dimensão, junto da Câmara Municipal do Funchal e do Governo Regional. Uma estratégia para continuar.

Rui Santos apresenta-se, pela primeira vez, como candidato a presidente de uma junta que foi sempre ‘laranja’. Espera suceder a Marcelino Andrade e recuperar um vogal da assembleia de freguesia, perdido em 2005. Neste momento, o PSD tem onze representantes, contra quatro do PS, três da CDU e um do CDS.

Definir “regras claras” para o relacionamento com a população e concessão de apoios a instituições é um objectivo assumido pelo autarca que, garante, não vai prometer “obras megalómanas” que nem estariam na esfera de competência da junta. Mas vai pressionar o Governo Regional e a CMF para que cumpram as promessas feitas à freguesia. Sobretudo quatro obras que considera “essenciais”.

A construção de uma praça, na área entre o miradouro e a praça de táxis, junto à igreja, um projecto que está prometido há muito tempo, é uma das quatro obras prioritárias. “Uma freguesia desta dimensão tem de ter um centro onde as pessoas possam estar”, justifica.

A requalificação do Pico dos Barcelos, a rotunda junto à Ponte, onde termina a Estrada das Madalenas e a requalificação do caminho da Ribeira Grande, entre os campos do Marítimo e do Andorinha, são as outras prioridades. No que diz respeito à junta, promete manter todas as “medidas sociais”, apoiando idosos e famílias carenciadas, dinamizar o centro cívico e todas as obras da competência da autarquia.

Para o próximo mandato, o candidato do PSD também promete ceder um espaço, nas instalações da junta, para a assembleia de freguesia, onde “todos possam trabalhar, independentemente dos partidos”.

“Não faltam promessas”

Em Santo António, a CDU apresenta o seu principal dirigente. Edgar Silva, coordenador do PCP na Região é, desde 2001, o candidato da coligação à junta. Natural da freguesia, considera que esta é “uma imagem fiel do que é a gestão autárquica sem plano, a imagem de uma cidade partida, dividida ao meio”.

Para Santo António, garante, “não têm faltado promessas” que ficam por cumprir. Entre elas inclui as quatro obras prioritárias, referidas por Rui Santos e muitas mais.

Miguel Albuquerque, recorda, prometeu uma zona verde na freguesia e um jardim de plantas endémicas. “Até hoje, zero”, acusa.

Também a solução para o trânsito, na Ponte, apresentada por Bruno Pereira, “com mapas e desenhos”, ainda não avançou.

“Além disso, a freguesia continua a ter todos os problemas de uma cidade adiada, continuam a existir zonas sem acesso a transportes públicos, zonas onde ainda não se resolveu o problema do saneamento básico”, afirma.

O candidato da CDU, que também espera aumentar a representação na assembleia de freguesia, recorda que Santo António é a maior freguesia do Funchal “e a única que não tem um único plano de pormenor e de urbanização”.

O parque escolar, lamenta, também apresenta graves carências, embora a nova escola da Ladeira, seja boa. “Temos um parque escolar quase do tempo do Gonçalves Zarco, para ser mais rigoroso, do tempo do Salazar”, lamenta.

Droga nos bairros sociais

Fátima Macedo é a coordenadora do Partido Socialista na freguesia e candidata à junta. O PS é a segunda força política em Santo António e procura recuperar o peso eleitoral de outros tempos. “Confio no trabalho que estou a fazer e confio no eleitorado”, afirma.

Numa freguesia com a dimensão de Santo António, os problemas principais também incluem a falta de diversas infra-estruturas, como creches e espaços públicos.

Fátima Macedo inclui entre o “muito por fazer” na freguesia, o saneamento básico e os transportes públicos, nas zonas altas, medidas para combater a toxicodependência nos bairros sociais, problemas de habitação e “muitos dramas sociais”. Entre estes, destaca a situação de “idosos que estão completamente isolados”, sem qualquer apoio.

Inquérito: Como avalia o trabalho da Junta?

João Aguiar, reformado
“Para mim não é preciso melhor. Gostava do médico, o dr. Marcelino, e também tenho boa impressão deste novo candidato, o Rui Santos. Acho que fica bem entregue”.

Paulo Gomes, empresário
“Ainda há muito para fazer. As levadas estão em mau estado e era importante que a Junta ajudasse a promover o comércio local, que desse incentivos aos empresários”.

Celestino Gomes, Reformado
“Ainda há muito lixo por aqui. A Junta de Freguesia devia ter maior atenção na limpeza de veredas e dos caminhos, muitos estão cheios de mato. As ribeiras e ribeiros também estão por limpar”.

Jorge Freitas Sousa

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