Alcatrão a mais e organização a menos

de André Escórcio no Com Que Então…!.

Duas notas:

1ª Muito dinheiro se gasta na Via Litoral. Acho que não há mês que, um pouco por toda a sua extensão, não seja repavimentada. Alcatrão, custe o que custar, é coisa que parece que tem de ser gasto. Obrigatoriamente. Pode até fazer parte do contrato mas não deixa de ser curioso o que ali acontece. Tapetes em bom estado são removidos como quem muda de camisa. Alguém paga (todos nós) e alguém recebe (sempre os mesmos). Poderão até argumentar que se trata de uma questão de segurança. Não me parece. E se a questão é de segurança, numa via a espaços muito perigosa, sem possibilidade de escapatória numa situação de emergência, então reduzam os limites de velocidade. Não faz sentido o que ali se passa, diariamente, em termos de velocidade excessiva e de acidentes. Só mais um aspecto: se a eventual degradação do piso é de natureza técnica, averiguem o que se está a passar. Há qualquer coisa que não bate certo!

2ª A propósito de asfalto, ouvi ontem o Senhor Presidente da Câmara do Funchal dizer que as repavimentações em curso na cidade do Funchal não têm nada a ver com a proximidade das eleições. Como vulgarmente se diz: “Cá nada!”. É óbvio que se não tivesse ele não precisaria de o dizer.
Há quatro anos foi o mesmo. Apenas porque a Câmara não tem um plano de repavimentações e, sobretudo de manutenção das estradas. Nunca teve. Eu estive na Vereação durante três mandatos e sei como tudo acontece. Da mesma forma, dirá o Senhor Presidente, que as visitas diárias a obras em curso, desde parques infantis, escolas e estradas, não têm nada a ver com a campanha eleitoral. Repito: “Cá nada!”. É evidente que têm e muito. Aí sim, há uma programação interna para tentar vender o peixe, como soe dizer-se. Mas tudo bem…

Em contraponto a esta preocupação para mostrar algum trabalho e sobretudo imagem, preocupado deveria estar o executivo da Câmara com a cada vez maior lentidão dos processos para aprovação. Saltam de mesa em mesa, de departamento para departamento e as pessoas, que precisam de resolver as situações, até pela necessidade de compromissos bancários, esperam e desesperam, por exemplo, por uma simples licença de habitabilidade. Para mim as coisas são muito claras: um processo entrado tem de ser rapidamente analisado. Há um tempo próprio que não pode nem deve ser protelado. Até no respeito pela Lei. Se não está conforme o dever da Câmara é o de comunicar e exigir os procedimentos legais necessários. O que não pode é a Câmara complicar a vida do cidadão, por demoras excessivas e inexplicáveis. Por aí também se mede a eficiência e o respeito pelos munícipes. Tudo isto consequência de um modelo de gestão e administração ultrapassado e de um sentido organizacional que a Câmara nunca teve e que hoje fá-la rebentar pelas costuras. Mas isso não é visitável.

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